(16) 3371-2277
Praça Dom José Marcondes Homem de Mello
(Av. São Carlos s/nº) Centro, São Carlos/SP

O TEMPO PASCAL

Padre José Luis Beltrame

Cura da Catedral de São Carlos


A Festa da Páscoa ou da Ressurreição do Senhor, se estende por cinqüenta dias entre o domingo de Páscoa e o domingo de Pentecostes, comemorando a volta de Cristo ao Pai na Ascensão, e o envio do Espírito Santo. Estas sete semanas devem ser celebradas com alegria e exultação, como um só dia de festa, ou, melhor ainda, como um grande domingo, vivendo uma espiritualidade de alegria no Cristo Ressuscitado e crendo firmemente na vida eterna.

Houve época em que o que hoje chamamos Semana Santa foi chamado semana da Páscoa, a semana em que “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”. Hoje damos o nome de Tempo da Páscoa ou Tempo Pascal aos cinqüenta dias que vão do Domingo da Ressurreição (Eucaristia da Vigília) até ao Domingo do Pentecostes. Todo este período de cinqüenta dias recebeu a designação de Pentecostes, ou cinquentena da alegria pascal, laetissimum spatium. O Calendário Romano vai dizer que este período com os seus domingos é como “um grande domingo”.

O Tempo Pascal nasce da Vigília; aí se faz a passagem do luto à alegria, do jejum ao banquete, da tristeza à festa, da morte à vida. Tempo de alegria, de ação de graças, de aprofundamento do sentido do mistério cristão e da vida em Cristo, do mistério da Igreja e conseqüentemente do mistério da comunidade dos cristãos, o Tempo Pascal é o tempo espiritual, por excelência, do ano litúrgico. É o tempo em que o Ressuscitado dá o Espírito: “Recebei o Espírito Santo”, e que se conclui precisamente com a efusão do Espírito Santo sobre os discípulos, que, uma vez “cheios do Espírito Santo”, aparecem no mundo como a “Igreja de Deus” da “Nova Aliança”.

A Páscoa é celebrada, no dizer de S. Agostinho, não tanto como uma história que se evoca, mas como um mistério tornado presente de maneira sacramental para nele se poder participar. Assim, na Vigília, ocupa lugar central a celebração dos sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia, os sacramentos da vida nova. Por meio desses sacramentos nascem os novos filhos de Deus.

S. Paulo, partindo da sugestão fornecida pelo pão ázimo próprio da Páscoa judaica, pede aos seus leitores que, purificados do fermento velho, sejam uma nova massa, para celebrarem a festa pascal.

A vida cristã é uma vida pascal, porque vida dos que foram sepultados com Cristo, no Batismo, para viverem, com Ele, uma vida nova. Esta vida nova é a vida de Cristo ressuscitado, a vida daquele que, por ter oferecido a vida até se entregar à morte, vive agora na glória do Pai, exaltado com o nome divino de Senhor (Fil 2, 11). Vida nova vivida na e na esperança, vivificada pelo Espírito, que é Amor. Vida nova, porque vida do homem novo, que é o Senhor ressuscitado, ela anima toda a existência cristã e expri­me-se em tudo o que é vitória sobre o pecado e a morte. Esta novidade de vida em Cristo os textos litúrgicos vão colocar em realce no tempo pascal.

Jesus Ressuscitado e vivo continua presente no meio dos seus. O círio pascal aceso na vigília da páscoa é símbolo e sinal desta presença enquanto cada domingo do tempo pascal celebra os diversos modos da presença e da manifestação do Senhor ressuscitado na sua Igreja.

No segundo domingo da Páscoa, a aparição do Senhor no meio dos seus consagra o ritmo dominical da sua presença no meio da assembléia festiva dos fiéis: o domingo, festa primordial, dia do Senhor ressuscitado, se torna sinal semanal da Páscoa.

No terceiro domingo, reconhecemos o Senhor na fração do pão: ele esta presente no meio de nós nos sinais sacramentais.

No quarto domingo, o bom Pastor nos manifesta o mistério da presença do Cristo nos pastores da sua Igreja.

No quinto domingo, a caridade fraterna é vista como a manifestação de Jesus ressuscitado; através do amor que une os membros da Igreja, os homens reconhecerão o amor com que Cristo os ama.

No sexto domingo, Jesus promete o seu Espírito como princípio da vida pascal da Igreja e de todo cristão; a ação do Espírito de verdade constrói interiormente o templo espiritual.

No dia da Ascensão (sétimo domingo), Jesus, antes de subir ao Pai, envia ao mundo suas testemunhas; elas e todo o povo profético manifestarão Jesus Cristo salvador.

Em pentecostes: o Espírito Santo realiza a plenitude da Páscoa de Cristo por meio da Igreja. Impelidos pela força de Jesus ressuscitado e pela fé, os Apóstolos partem para a missão no mundo.

Celebrar a eucaristia neste período da Páscoa significa particularmente: reconhecer todas as manifestações de Jesus ressuscitado na sua Igreja; tornar-nos instrumento destas manifestações, como membros do povo sacerdotal: dar graças ao Pai pela presença contínua de Jesus ressuscitado em nosso meio.

Reflexão a partir do Missas  Dominical,

Missal da Assembléia Cristã 1995

Editora Paulus

Padre José Luis Beltrame

Catedral de São Carlos

Adicionar comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *