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CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS DE ARAQUARA E REGIÃO

O BISPO DEVE SER PROFETA

O jornaleco “Eco da Paz”, do “Santuário da Paz” (que de paz nada tem) publicou um comentário maldoso a respeito de meu artigo “Espiritismo, teoria ou religião?”(artigo que, aliás mereceu elogios de cabeças pensantes)  e, além do mais, enviou cópia para a Nunciatura e para Roma, como se isso me intimidasse. Aliás, a palavra “eco”, em Minas, significa aquilo que não presta, que não cheira bem. O que parece se aplicar ao jornalzinho em questão.

Ser profeta não é adivinhar o futuro, nem muito menos ficar tendo visões de Nossa Senhora. Profeta não é vidente. O profeta, na Bíblia, antes de ser aquele que denuncia, é aquele que anuncia, isto é, que fala em nome do Senhor. Tem gente que vive denunciando e eu aprendi com meus pais que “denunciar” é feio. Nunca gostei desta palavra: ‘denuncie”.

Certamente Nossa Senhora nunca mandou denunciar, como fazem os “videntes” de Araraquara. Segundo o que diz o livro do Gênesis ( 11,9), a cidade corre o risco de receber o nome de Babel. Tudo o que contraria o que eles ensinam, eles denunciam à Nunciatura ( como se a nunciatura fosse uma delegacia de polícia e fazem um B.O.), principalmente se for contra o Bispo, o único que teve a coragem de dizer a verdade e desmascarar as falsas aparições de Maria ( há tantas Marias…). Eu estaria muito bem se não exercesse a minha função de profeta. Como diz Provérbios 29,18: “ Quando falta a profecia o povo se corrompe”.

Eu não me intimido com as ameaças constantes dos falsos videntes de Araraquara. Podem denunciar à Nunciatura, à CNBB, às Congregações Romanas. Prefiro que me afastem das funções de Bispo de São Carlos a mancomunar com falsos profetas que vivem iludindo o povo simples com mensagens repetitivas de Nossa Senhora: “ convertam-se, filhinhos, rezem”. Isso é o óbvio. Nunca Nossa Senhora de Araraquara disse: “ Sejam justos; paguem o salário justo; não fiquem iludindo os simples; não acumulem riquezas roubando dos pobres…”

A Nossa Senhora que aparece em Araraquara, para meu gosto é muito condescendente, muito “acomodada”. A Nossa Senhora que eu conheço e venero é a Nossa Senhora do Magnificat que diz: “ saciou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias” (Lc. 1,53). Uma Nossa Senhora comprometida com os pobres e não exploradora deles. Uma Nossa Senhora corajosa e que não fica “ tapando o sol com a peneira”.

As locuções de Nossa Senhora ao casal de Araraquara são evidentemente falsas. Um “santuário” que de santuário não tem nada. No artigo que escrevi sobre o espiritismo e que as mentes curtas de alguns não entenderam, eu quis mostrar que muitas pessoas classificadas como “espíritas” não são espíritas, mas estão “espíritas”. Vão em busca de um remédio, de uma solução para os seus problemas. Assim acontece com o “ santuário” de Araraquara. Ali vão aqueles que estão desesperados, doentes, que ali deixam o seu ??dízimo” e saem piores do que entraram.

Em nome da liberdade religiosa se cometem abusos e graves. É caso de cadeia. Ludibriar a boa fé do povo, principalmente do povo simples, é um pecado que “ brada aos céus”. Está passando da hora de dar um basta a tudo isso. Há outras maneiras, mais honestas e mais justas, de ganhar a vida. Eu jamais sairia por aí dando bênçãos e fazendo milagres, para ganhar dinheiro. Isso se chama, na Bíblia, “Simonia”, quando alguns espertos quiseram comprar dos apóstolos o poder de fazer milagres.

Araraquara tem hoje 19 paróquias, atendidas por padres ordenados pelo Bispo e não precisa de um “santuário” onde nenhum padre está autorizado a celebrar e, se  o fizer, será inválido, porque não está em comunhão com o Bispo e ficará “suspenso de ordens”. As celebrações ali realizadas não têm nenhum valor de sacramento e, digo mais, um católico que freqüenta o referido “santuário” não está em comunhão com a Igreja Católica e, portanto, está “excomungado”, não podendo, consequentemente, receber os Sacramentos da Igreja.

Dom Paulo Sérgio Machado – Bispo de São Carlos

P.S. ( post-scriptum) : o pessoal do “ santuário” pode enviar uma cópia para a Nunciatura, para a CNBB, para a Congregação para os Bispos, para a Congregação da Doutrina da Fé… Podem até me matar, mas eu morrerei profeta. Não deixarei que enganem o meu povo.

Afinal, como disse Jesus na resposta aos fariseus: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” ( Lc. 19, 40 ) e eu, seguindo o conselho de Jesus, garanto que não vou me calar

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