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A salvação oferecida a todos

Escrito armeno de origem síria por volta do ano 590 relatava o encontro de três reis que simbolizavam o poder e o saber, em Jerusalém: Melquior rei da Pérsia, Baltasar rei da Índia e Gaspar rei da Arábia. Eram sábios que procuravam nos astros o sinal do Messias esperado.

O povo judeu esperava-o lendo as Escrituras, os pagãos, a natureza.

Santo Agostinho escreve em suas confissões: “Fizeste-nos Senhor para vós e o nosso coração está inquieto enquanto em vós não repousar”.

Santo Irineu de Lião escreve: “O Verbo de Deus jamais deixou de estar presente na raça humana”, através de sua Palavra, Deus sempre visitou a humanidade.

A carta aos Hebreus cap 1, vers 1 vai confirmar: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo”.

Se Abraão é Pai da fé é herdeiro das promessas ele é também o pai do universalismo desta salvação, pois a ele Deus se revela confia lhe a missão de reunir todos os povos em sua descendência “Ele conduziu Abraão para fora e disse: “Ergue os olhos para o céu e conta as estrelas, se as pode contar”, e acrescentou: “Assim será a tua posteridade” (Gn 15,6)”.

Se de um lado Deus fez uma aliança com um povo, com uma raça por outro lado Deus não privou nenhum povo da promessa da salvação e da expectativa de um Salvador: “O Senhor me disse: Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra” (Is 49,6).

Contrariando o exclusivismo judeu, Paulo fala do mistério revelado: “Os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho” ( Ef 3, 6).

Com a festa da Epifania é isto que estamos celebrando Os pagãos glorificam a Deus, em razão da sua misericórdia (Rm 15,8.9). – Jesus, Salvador de todos os povos.

Os Magos chegam a Jerusalém, sede da Palavra, das Escrituras, do Templo. Os doutores sabem responder de modo exato onde nasceria o Messias, eram especialistas em Bíblia, mas estavam cegos para enxergar além da letra, pois seus interesses eram domínio, e poder. Os Magos em sua busca da verdade e sintonizados com os elementos que a natureza lhe oferecia souberam ler os sinais de Deus, acolheram a luz divina que conduziu o povo pelo deserto.

Para os sábios e entendidos de Jerusalém o Templo tornara-se escuridão, o deserto percorrido pelos Magos, tem sempre uma luminosidade.

Quando se busca a salvação – mas sem querer encontrá-la – tudo é treva e ficamos felizes em poder dizer: Nada encontramos!

A Verdade se manifesta aos que a procuram

Iluminados pelas Escrituras e pela natureza, os Reis Magos seguem para Belém. Ao encontrarem o Menino e sua Mãe não fazem perguntas, não tremem de desilusão: prostram-se por terra e o adoram. São os primeiros pagãos a receberem a graça de adorarem o Messias.

O menino, feliz nos braços da mãe dava início à obra da salvação universal.

O menino-Deus inicia sua obra missionária: convocando os magos do Oriente, começa a reunir os povos, a dar unidade à grande família humana.

A fé em Jesus derrubará as barreiras entre os homens e fará com que todos se sintam filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs redimidos.

A unidade fundamental da família humana

Entre as orientações mais importantes e significativas do Vaticano II está o apelo à unidade fundamental da família humana (cf. GS 24; 26; 27). Retomando o tema paulino, o Concílio nos ensina que não há judeu nem pagão, nem escravo nem livre, nem branco nem negro, mas todos somos membros de uma mesma família, humano/divina.

É este o sentido mais profundo da festa da Epifania: Deus quer salvar a todos.

Não aconteça conosco, cristãos, o acontecido em Jerusalém: os doutores da Lei sabiam tudo sobre o Messias, mas não queriam um Messias. Queriam manipular o poder religioso em função de interesses humanos.

“… Ama a Deus com todo o teu coração… Amai-vos como eu vos amei…” (Mc. 12,30) esta é a estrela que garante a unidade.

Autoria: Padre José Luis Beltrame

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